{"id":200,"date":"2018-10-22T10:25:46","date_gmt":"2018-10-22T12:25:46","guid":{"rendered":"http:\/\/sousurdosim.com.br\/?page_id=200"},"modified":"2019-02-13T14:21:06","modified_gmt":"2019-02-13T16:21:06","slug":"a-surdez-em-familia-e-amigos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sousurdosim.com.br\/index.php\/a-surdez\/a-surdez-em-familia-e-amigos\/","title":{"rendered":"A surdez em fam\u00edlia e amigos"},"content":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, pessoal. Pe\u00e7o desculpas aos leitores pelo sumi\u00e7o. A correria di\u00e1ria acabou me impedindo de retomar aos meus escritos. Mas vamos l\u00e1!<\/p>\n<p>Aqui, nesta aba, come\u00e7aremos os relatos, sucintos, sobre A SURDEZ EM FAM\u00cdLIA\u00a0E AMIGOS.<\/p>\n<p>Ao retornar para casa, passei a frequentar somente dois lugares: meu quarto e uma rede que fica numa \u00e1rea no quintal. Ainda depressivo, o dia todo eu passava deitado na rede sem falar com ningu\u00e9m. S\u00f3 me levantava para comer e s\u00f3 comia por causa dos rem\u00e9dios, que abria o apetite e me obrigavam a isso, o que estava me deixando ainda mais inchado. Parei de usar redes sociais como o facebook e o whatsaap e quando eu falava com algu\u00e9m aqui em casa, as ordens era que se algu\u00e9m viesse atr\u00e1s de mim, deveriam dizer que eu n\u00e3o estava e n\u00e3o queria falar com ningu\u00e9m. Nem amigos e nem familiares. Mas os amigos perceberam que era eu quem n\u00e3o queria recebe-los e logo a not\u00edcia se espalhou que eu estava evitando visitas.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e teve de retornar ao trabalho e constantemente ligava para nossa secret\u00e1ria da \u00e9poca, a fim de saber como eu estava. Quando ela chegava em casa, ia ao p\u00e9 da minha rede e ficava chorando em me ver definhando e n\u00e3o poder fazer nada. Mam\u00e3e rezava todo dia por minha cura, dizia que se pudesse, trocaria de lugar comigo. Chegou a dizer que n\u00e3o entendia porque Deus estava deixando isso acontecer, logo eu que ainda n\u00e3o tinha casado, n\u00e3o tinha filhos. Percebam, estes s\u00e3o preconceitos comuns que muitos t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 surdez, at\u00e9 eu tinha, n\u00e3o era s\u00f3 minha m\u00e3e. Eu tamb\u00e9m achava que estar surdo era estar fadado ao fracasso, uma senten\u00e7a de morte. Eu n\u00e3o poderia fazer mais nada na vida e casar seria imposs\u00edvel. Todos n\u00f3s carregamos preconceitos, mas nunca atinamos de verdade sobre eles.<\/p>\n<p>Meu dia-a-dia era sempre o mesmo, era o primeiro a deitar, para tentar dormir e \u00e0s vezes s\u00f3 conseguia tomando um rem\u00e9dio controlado. Isso, porque devido a tudo o que estava acontecendo comigo, minha cabe\u00e7a n\u00e3o parava de pensar no fato de eu estar surdo. Outros pontos que me deixavam impaciente era a sensa\u00e7\u00e3o de ouvido totalmente tapado e para complicar ainda mais, junto com a surdez, tinha um zumbido que at\u00e9 hoje me acompanha, isso me deixava louco e eu sentia tonturas muito fortes. Mas quero deixar claro que embora depressivo e achando estar fadado ao fracasso, eu nunca deixei de rezar. Recolhia-me \u00e0s minhas ora\u00e7\u00f5es. Todas as noites eu rezava um ter\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o. Eu pedia por dias melhores, pedia a minha cura. Mas eu comecei a perceber que em minhas ora\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o eram mais pedidos, era como se eu estivesse com raiva de Deus e nas ora\u00e7\u00f5es eu queria h\u00e1 qualquer custo que ele me curasse. Eu chagava a cobrar de Deus uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Certa vez, como de costume, meus sobrinhos v\u00eam \u00e0s vezes passar o final de semana aqui em casa ou as f\u00e9rias. E em um desses dias, meu sobrinho no dia seguinte veio me perguntar se era eu mesmo. Eu fiquei sem entender. Mas ele disse que de madrugada ouviu uma voz chorosa, long\u00ednqua, clamando por miseric\u00f3rdia e a v\u00f3 dele, minha m\u00e3e, disse que era eu e na hora ela come\u00e7ou a chorar. Meu sobrinho ficou confuso com a situa\u00e7\u00e3o e quando ele veio me perguntar, fiquei com vergonha em saber que n\u00e3o controlava a intensidade da minha voz e minhas s\u00faplicas estavam indo longe.<\/p>\n<p>O fato era que era sempre assim, me deitava mais cedo para rezar e quando conseguia dormia. Mas acordava cedo e ia para a rede. Todos os dias eram assim.<\/p>\n<p>Alguns amigos tentavam insistir em falar comigo e nestas tentativas, alguns conseguiram como o Manoel, Rondinele, Emerlinda, Baby. Mas sempre era\u00a0 muito dif\u00edcil encar\u00e1-los, porque ao fazer isso, eu me mostrava agora uma pessoa digna de piedade, uma pessoa sofrida, doente e n\u00e3o mais aquele amigo sorridente, cheio de vida, de palavras amigas, engra\u00e7ado. E sem falar que todos eles me viam inchado do medicamento que eu ainda estava tomando e n\u00e3o sabia como me comportar porque agora eu estava surdo.<\/p>\n<p>Fiquei sabendo que teve uma pessoa, um amigo (a) que me procurou e como as ordens era que eu n\u00e3o estava para ningu\u00e9m, esse amigo foi barrado no port\u00e3o. Mas ele ou ela, enfrentou minha m\u00e3e. Disse que ela n\u00e3o poderia me esconder das pessoas que gostam de mim, das pessoas que queriam saber de mim e falar comigo. Eu achei muito bacana a atitude desse amigo em enfrentar minha m\u00e3e. Mas ela n\u00e3o o deixou entrar, mam\u00e3e ficou at\u00e9 chateada no dia. (risos). Percebam que eu n\u00e3o cito o nome do amigo. Isso, porque eu n\u00e3o sei quem foi. No dia, devido as quest\u00f5es que voc\u00eas j\u00e1 sabem, n\u00e3o liguei muito de saber quem era. E fa\u00e7o at\u00e9 um apelo aqui, nesta p\u00e1gina, se voc\u00ea, meu amigo, est\u00e1 lendo e sabe que foi voc\u00ea, me mande uma mensagem que quero lhe d\u00e1 um abra\u00e7o bem caloroso de muito obrigado.<\/p>\n<p>Devido estar sempre deitado e quase sempre n\u00e3o levantar para nada, comecei a sentir complica\u00e7\u00f5es na coluna e nos rins. Na coluna, devido a pouco me locomover durante o dia e nos rins, porque devido a isso, nem beber \u00e1gua eu queria. Ent\u00e3o tive de ir ao m\u00e9dico. Eu regularmente estava tendo de ir ao m\u00e9dico at\u00e9 descobrir que era por isso que estava sentindo estas complica\u00e7\u00f5es. E devido a estas visitas pude perceber outras \u201ccomplica\u00e7\u00f5es\u201d, mas desta vez, no meu seio familiar. Como eu n\u00e3o ligava mais para nada, alguns dos meus irm\u00e3os come\u00e7aram a pedir meu carro emprestado. Eu sempre fui muito ciumento com meu carro. Mas eu n\u00e3o estava mais ligando, eu emprestava. Nem ia olhar como o carro teria sido devolvido. Mas quando eu precisava de algu\u00e9m para me levar ao m\u00e9dico, no meu carro, era sempre um supl\u00edcio. Quase sempre n\u00e3o podiam. Era uma confus\u00e3o. Porque minha m\u00e3e n\u00e3o admitia eu precisar de ajuda e os mesmos que usavam o meu carro e o devolvia com banco rasgado, lataria amassada e at\u00e9 batido, n\u00e3o pudessem me ajudar. Mas isso \u00e9 normal em qualquer fam\u00edlia. Somos falhos, eu entendo perfeitamente.<\/p>\n<p>Certa vez, devido as tonturas que eu sentia, fui ao m\u00e9dico com meu pai e ao sair do carro eu cai sentado na cal\u00e7ada. Fiquei morrendo de vergonha, mas n\u00e3o das pessoas que passavam, e sim do meu pai que me via naquela situa\u00e7\u00e3o e teve de me ajudar a ficar de p\u00e9. Sempre que nestas idas ao m\u00e9dico eu podia, fazia de tudo para n\u00e3o ver ningu\u00e9m conhecido. Porque n\u00e3o queria que ningu\u00e9m me visse daquele jeito e nem queria explicar, falar sobre o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>O conv\u00edvio com a fam\u00edlia n\u00e3o era dos melhores, porque eu sempre evitava de falar com todos e estar no meio de todos. Quando algu\u00e9m da fam\u00edlia chegava em casa, eu corria e me trancava no quarto. Com os amigos n\u00e3o era diferente, as ordens perduraram por um bom tempo em dizer que eu n\u00e3o queria receber ningu\u00e9m. Muito embora, aos poucos eu j\u00e1 estava mais flex\u00edvel em falar com algu\u00e9m que conseguia se chegar.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que Deus ouviu minhas ora\u00e7\u00f5es. Voc\u00eas lembram que eu rezava toda noite pedindo dias melhores? Pedia minha cura. Pois certa vez, acordei diferente. Com vontade de viver. Naquele momento eu n\u00e3o conseguia entender o que estava acontecendo comigo, o que eu estava sentindo de diferente. Mas j\u00e1 era Deus agindo em mim. Eu comecei a voltar a sorrir. Bem verdade que era um sorriso acanhado, mas j\u00e1 tinha meses, quase um ano que nem isso eu fazia mais. Comecei a querer retomar as r\u00e9deas da minha vida. Isso porque eu j\u00e1 estava muito dependente dos outros. Voltei a conversar mais com meus sobrinhos e familiares. Mas percebi que embolava as palavras. Eu estava com dificuldade em falar. Passei um bom tempo sem falar com ningu\u00e9m e agora sem poder escutar a mim mesmo, estava dif\u00edcil. Mesmo assim, algo de novo, de esperan\u00e7oso estava no ar. N\u00e3o demorou muito e voltei a usar as redes sociais. Mas foi num processo vagaroso, n\u00e3o foi do dia para a noite. E aos poucos, pelo menos online, eu estava me reaproximando dos amigos.<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 isso pessoal, em outras abas vai ser inevit\u00e1vel n\u00e3o falar sobre a fam\u00edlia e amigos, muito embora seja esta aba a prop\u00edcia. Mas retomarei quest\u00f5es deste conv\u00edvio.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima aba ser\u00e1 sobre A SURDEZ E A SEXUALIDADE. At\u00e9 l\u00e1!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, pessoal. Pe\u00e7o desculpas aos leitores pelo sumi\u00e7o. A correria di\u00e1ria acabou me impedindo de retomar aos meus escritos. Mas vamos l\u00e1! Aqui, nesta aba, come\u00e7aremos os relatos, sucintos, sobre A SURDEZ EM FAM\u00cdLIA\u00a0E AMIGOS. 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