{"id":261,"date":"2018-10-24T10:48:22","date_gmt":"2018-10-24T12:48:22","guid":{"rendered":"http:\/\/sousurdosim.com.br\/?page_id=261"},"modified":"2018-10-27T16:05:17","modified_gmt":"2018-10-27T18:05:17","slug":"descobrindo-a-surdez-diagnostico-parte-ii","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sousurdosim.com.br\/index.php\/a-surdez\/descobrindo-a-surdez-diagnostico\/descobrindo-a-surdez-diagnostico-parte-ii\/","title":{"rendered":"PARTE II"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte II<\/strong><\/p>\n<p>Bem, e assim chegou o dia da viagem \u00e0 capital. J\u00e1 era janeiro de 2014. S\u00e3o cerca de quatro horas de Parna\u00edba \u00e0 Teresina. L\u00e1 moram muitos parentes nossos. Pessoas legais, sol\u00edcitas e os quais amamos bastante. Mas como eu estava abalado, deixei claro para minha m\u00e3e e meu irm\u00e3o Eduardo (quem por muito tempo nos acompanhou, dirigindo meu carro pois, eu j\u00e1 estava evitando dirigir), falei que n\u00e3o queria ir para casa de parentes, n\u00e3o queria que ningu\u00e9m soubesse o que estava acontecendo comigo. E que evitassem comentar com quem quer que fosse. Ent\u00e3o ficamos sabendo, atrav\u00e9s do Rondinelle, que em Teresina tem a casa do professor. A m\u00e3e dele, dona Lourdes, professora aposentada, por v\u00e1rias vezes visitou o local. L\u00e1 \u00e9 um ponto de apoio aos profissionais do magist\u00e9rio que s\u00e3o sindicalizados no Piau\u00ed. Como eu n\u00e3o era funcion\u00e1rio no Piau\u00ed, eu n\u00e3o tinha direito, mas minha m\u00e3e sim. Ainda antes da viagem, conseguimos o endere\u00e7o e fomos at\u00e9 l\u00e1 e fomos bem atendidos. Mas por ser m\u00eas de f\u00e9rias, o local estava lotado e \u00e9 dividido em ala masculina e ala feminina. S\u00e3o v\u00e1rios quartos com pelo menos tr\u00eas beliches e ainda tinham camas e redes nos corredores, a fim de comportar todos que precisam. O local realmente ajuda muita gente que por algum motivo precisa estar na capital pois, como antes mencionei, Teresina \u00e9 polo de tratamentos em sa\u00fade. Mas quando eu percebi que n\u00e3o ir\u00edamos ficar juntos, de cara eu relutei em ficar l\u00e1. Mas se n\u00e3o tivesse outro jeito, eu preferiria l\u00e1 a casa dos meus parentes.<\/p>\n<p>Deixamos reservado e fomos \u00e0s cl\u00ednicas. A partir daqui, vou evitar falar nomes de cl\u00ednicas, m\u00e9dicos e outros profissionais. Isso por quest\u00f5es \u00e9ticas e, tamb\u00e9m, por ter relatos n\u00e3o t\u00e3o legais do que realmente aconteceu comigo. Algumas coisas relatadas n\u00e3o conseguirei provar pois, como \u00e9ramos \u201cmarinheiros de primeira viagem\u201d e por toda a press\u00e3o psicol\u00f3gica que sofr\u00edamos no momento, muito do que fomos expostos, foi nos dito verbalmente e, palavras s\u00e3o soltas ao vento. Registros s\u00e3o necess\u00e1rios para se provar algo que voc\u00ea venha a afirmar. Por esse motivo. Todo o meu relato foram situa\u00e7\u00f5es as quais eu, minha m\u00e3e Concei\u00e7\u00e3o e meu irm\u00e3o Eduardo (em alguns momentos) fomos expostos. \u00c9 nossa \u00f3tica, foi como nos sentimos e n\u00e3o estamos acusando por n\u00e3o termos provas. Mas vejo ser necess\u00e1rio alertar nossos leitores que por ventura passem por algo parecido.<\/p>\n<p>Ressalto que eu nesse momento ainda era ouvinte. Minha audi\u00e7\u00e3o esquerda estava perfeita e minha direita, embora tivesse perdido algo a mais, ainda me fazia escutar. Saliento ainda que se voc\u00eas, leitores perceberam, n\u00e3o liguei muito para o m\u00e9dico na minha cidade. Infelizmente Parna\u00edba ainda deixa muito a desejar no quesito medicina. Mas isso j\u00e1 est\u00e1 mudando. Somos polo universit\u00e1rio e j\u00e1 contamos, atualmente, com duas universidades de medicina, o que esperamos agregar excel\u00eancia ao nosso munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica, o otorrino passou exames como audiometria (clique no link <a href=\"https:\/\/www.portaleducacao.com.br\/conteudo\/artigos\/fonoaudiologia\/o-exame-de-audiometria\/29369\">https:\/\/www.portaleducacao.com.br\/conteudo\/artigos\/fonoaudiologia\/o-exame-de-audiometria\/29369<\/a> para saber mais sobre audiometria), passou tamb\u00e9m uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e outros rotineiros (clique no link para saber mais sobre resson\u00e2ncia <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/ressonancia-magnetica-o-que-e-e-para-que-serve\/\">https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/ressonancia-magnetica-o-que-e-e-para-que-serve\/<\/a>). Resolvemos fazer os exames no mesmo dia para tentar receber os resultados o mais r\u00e1pido poss\u00edvel ou no dia seguinte. Ao irmos atr\u00e1s de cl\u00ednicas que nos pudessem atender em tempo h\u00e1bil, conhecemos um tipo de servi\u00e7o estranho, pelo menos aos meus olhos naquele momento: s\u00e3o os agenciadores em sa\u00fade, nem sei se o nome \u00e9 esse. Mas o que \u00e9 isso? Como funciona? Ainda n\u00e3o me detive a pesquisar mais sobre essa profiss\u00e3o. Mas ouso em dizer que s\u00e3o pessoas leigas em \u00e1reas da sa\u00fade, que em comum acordo com donos de cl\u00ednicas e m\u00e9dicos, v\u00e3o para a frente de hospitais ou locais mais movimentados, com cart\u00f5es de visita, oferecendo descontos para consultas e exames. Esses agenciadores recebem uma pequena porcentagem em cima de consultas e exames de pessoas que eles levam aos locais agenciados. \u00c9 um servi\u00e7o como qualquer outro e vejo de grande valia social, uma vez que pessoas comuns, por vezes se sentem desamparadas e n\u00e3o tem muito o que gastar. Nesse momento conhecemos um casal. Estes, cito os nomes pois, s\u00e3o pessoas batalhadoras e humanas. T\u00e2nia e Jeremias. Nunca os t\u00ednhamos visto antes. Nos levaram \u00e1s cl\u00ednicas que estavam agenciando, nos acompanharam em cada momento e inclusive em conseguir que os resultados logo sa\u00edssem. Teve exame que s\u00f3 ir\u00edamos receber no dia seguinte.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 estava ficando tarde e na minha mente se passava constantemente esta pergunta: onde ir\u00edamos dormir? Na casa do professor, um local com tamanho valor social tamb\u00e9m, s\u00f3 n\u00e3o me deixava \u00e0 vontade pois, devido a todo o meu abalo psicol\u00f3gico, eu queria estar perto de minha m\u00e3e e meu irm\u00e3o. Foi ent\u00e3o que seu Jeremias perguntou se ter\u00edamos onde ficar. Percebi de cara que possivelmente ele tivesse alguma alternativa para meu descontento. Ele falou que se da pr\u00f3xima vez que vi\u00e9ssemos, n\u00e3o tiv\u00e9ssemos onde ficar, ele tinha um quarto em sua casa e poderia nos receber. Aquela not\u00edcia para mim foi maravilhosa. Mas primeiro precis\u00e1vamos minha m\u00e3e, eu e o Dudu (meu irm\u00e3o) conversar sobre essa possibilidade acontecer ainda naquela noite. Ficamos em uma cl\u00ednica para receber um resultado que iria sair no mesmo dia. Seu Jeremias precisou sair e foi tempo o suficiente para eu persuadir minha m\u00e3e e irm\u00e3o a irmos para a casa dele. Mam\u00e3e pegou o cart\u00e3o de visitas que tem o n\u00famero deles e perguntou se ter\u00edamos como ficar l\u00e1 ainda naquele dia e deu certo. Desfizemos a reversa na casa do professor e ficamos l\u00e1, com eles. Uma fam\u00edlia maravilhosa. Nos receberam muito bem e dormimos todos, eu, minha m\u00e3e e irm\u00e3o, no mesmo quarto. Ufa! Foi uma sensa\u00e7\u00e3o maravilhosa ficar com quem se ama em meio ao abalo que me consumia.<\/p>\n<p>No dia seguinte, seu Jeremias e dona T\u00e2nia, nos acompanharam, no carro deles, indo \u00e0 frente, nos mostrando como chegar ao centro da cidade e que se precis\u00e1ssemos de algo era s\u00f3 chamar. Agradecemos demais por tudo que fizeram por n\u00f3s e prosseguimos a levar os resultados para o otorrino.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica, o m\u00e9dico analisou o exame de audiometria e confirmou que era uma perda auditiva, que naquele momento era de moderada a leve, somente no ouvido direito e na resson\u00e2ncia, como conclus\u00e3o, tinha suspeitas de neurofibromatose tipo 2. (Confira no link mais sobre neurofibromatose tipo 2 <a href=\"http:\/\/anatpat.unicamp.br\/textonf2.html\">http:\/\/anatpat.unicamp.br\/textonf2.html<\/a>). Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso. O m\u00e9dico disse que era uma esp\u00e9cie de caro\u00e7o, um mini-tumor, n\u00f3dulos que s\u00e3o benignos que poderiam ter nascido em qualquer lugar e certamente, dependendo de onde fosse, eu nunca nem saberia da exist\u00eancia deles, mas como tinha sido em cima do nervo auditivo, estava causando a perda e por isso os descobri. Para completar a situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, no mesmo exame mostrava que tamb\u00e9m estava nascendo no ouvido esquerdo, o qual minha audi\u00e7\u00e3o estava intacta. Agora imaginem bem a\u00ed, eu j\u00e1 estava abalado e com mais essa not\u00edcia, fiquei pior. O m\u00e9dico continuou dizendo que n\u00e3o cabia, por enquanto, procedimento cir\u00fargico pois, precisaria ver outras possibilidades, uma vez que como estavam em cima do nervo auditivo, iria danifica-lo e eu nunca mais voltaria a ouvir e tamb\u00e9m poderia comprometer o nervo facial que fica pr\u00f3ximo e eu ficaria com paralisia facial. Cada palavra pronunciada pelo m\u00e9dico era com uma facada no meu psicol\u00f3gico. Naquele momento eu comecei a ficar depressivo e n\u00e3o sabia. Por que quem me conhece sabe que adoro sorrir, brincar. Nunca fiz isso por esconder algum problema depressivo. Eu nunca fui depressivo, eu n\u00e3o sabia o que era tristeza. E, a partir daquele momento, meus motivos para sorrir estavam cessando.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico indicou outro profissional, um neurocirurgi\u00e3o, um dos mais famosos e caros da capital e no dia seguinte t\u00ednhamos de ir ver a opini\u00e3o dele. Seu Jeremias novamente conseguiu marcar com este m\u00e9dico para o dia seguinte. Mas como n\u00e3o esper\u00e1vamos essa not\u00edcia, pens\u00e1vamos que j\u00e1 ir\u00edamos retornar para casa. Ent\u00e3o ter\u00edamos que dormir novamente l\u00e1. Ficamos meio sem gra\u00e7a de mais uma vez importunar seu Jeremias e foi quando minha m\u00e3e avistou, no centro da cidade, o filho de uma amiga dela que morava em Parna\u00edba e por ter se mudado para Teresina, j\u00e1 fazia tempos que n\u00e3o se viam. Vejam, eu preferiria ficar na casa de uma pessoa que n\u00e3o tinha intimidade a ficar na casa de parentes que me enchessem de perguntas sobre o que estava acontecendo comigo. Talvez para alguns leitores e at\u00e9 para meus parentes, isso n\u00e3o fa\u00e7a sentido, mas fazia muito para mim pois, a tristeza e a preocupa\u00e7\u00e3o me consumiam e tocar neste assunto era reviver as \u201cfacadas\u201d sentidas a cada palavra proferida pelo m\u00e9dico. Eu n\u00e3o queria falar sobre isso, eu n\u00e3o queria me sentir pior ao perceber que poderiam me olhar com pena. Tivemos a ideia de pedir abrigo a esta amiga da minha m\u00e3e. Outras pessoas maravilhosas, seu Wilson e dona Olga, j\u00e1 aposentados. Nos receberam de bra\u00e7os abertos. Literalmente nos acolheram. Por outras vezes ficamos l\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>No dia seguinte fomos ao neurocirurgi\u00e3o. O m\u00e9dico nos pareceu um tanto esnobe, era o mais famoso da capital. Talvez nem fosse esnobe, mas tanto eu, como minha m\u00e3e e, irm\u00e3o, est\u00e1vamos abalados e a forma como ele nos tratou, nos pareceu ser um tanto indiferente a tantas d\u00favidas que nos pairavam. A consulta foi car\u00edssima e ali, seu Jeremias n\u00e3o agenciava, nos marcou a consulta por generosidade de sua parte. O m\u00e9dico falou exatamente as mesmas palavras do otorrino, que n\u00e3o poderia operar, deu os mesmos motivos, mas acrescentou que eu poderia viver normalmente com este problema e nos mandou embora. Mas como assim, s\u00f3 isso? Foi o que minha m\u00e3e perguntou. O senhor n\u00e3o vai receitar nenhum medicamento? Naquele instante, devido a apatia no comportamento do m\u00e9dico, que boa parte aqui no Piau\u00ed, n\u00e3o generalizando, \u00e9 claro, atendem seus pacientes em tempo recorde, a fim de logo atender outros e outros e outros e assim ser mais rent\u00e1vel, minha m\u00e3e quis ser dura com ele e foi ent\u00e3o que ele receitou o mesmo medicamento que tamb\u00e9m fora receitado pelo m\u00e9dico que primeiro tinha me atendido em Parna\u00edba. E nos mandou para casa, disse para eu retornar somente de tr\u00eas em tr\u00eas meses para fazer avalia\u00e7\u00f5es. E assim o fizemos. Retornamos para minha casa. A tristeza continuava. \u00a0Religiosamente eu tomava a mesma droga receitada por dois m\u00e9dicos, um da minha cidade e outro da capital. Eu me apeguei \u00e0 droga, pensando que ela me faria voltar ao normal. Mas com 15 dias do nosso retorno, eu perdi completamente a audi\u00e7\u00e3o do ouvido direito. Outra \u201cfacada\u201d. E agora? Por que isso aconteceu? Visto que o neurocirurgi\u00e3o, famos\u00edssimo, havia dito que eu conviveria normalmente com isso e nunca levantou a hip\u00f3tese de eu ficar surdo. E agora? Ainda mais abalado, porque era como se eu carregasse fardos pesados e precisasse de ajuda para aliviar o peso e, ao inv\u00e9s de algu\u00e9m me ajudar, estavam colocando mais fardos sobre mim.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o resolvemos voltar \u00e0s pressas para a capital. Sobre isso, ser\u00e1 a <strong>parte III<\/strong> desta aba. Breve postarei. Conto com a leitura de voc\u00eas. Abra\u00e7o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte II Bem, e assim chegou o dia da viagem \u00e0 capital. J\u00e1 era janeiro de 2014. S\u00e3o cerca de quatro horas de Parna\u00edba \u00e0 Teresina. L\u00e1 moram muitos parentes nossos. Pessoas legais, sol\u00edcitas e os quais amamos bastante. 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